Decreto-Lei n.º 97/2026: o que muda para quem quer construir casa própria

Construir de raiz, recuperar uma casa antiga ou comprar habitação pode agora ser significativamente mais acessível — e a diferença pode chegar aos 30 mil euros.

O Decreto-Lei n.º 97/2026 introduz um novo enquadramento para a habitação em Portugal, com impacto direto na construção, reabilitação e arrendamento habitacional.

Na prática, estas medidas podem tornar projetos de habitação mais viáveis para muitas famílias da classe média, reduzindo a carga fiscal associada à construção e obras.


O que muda com o Decreto-Lei n.º 97/2026?

As novas regras procuram incentivar a construção de habitação própria, a reabilitação de imóveis e o arrendamento habitacional, através de um enquadramento fiscal mais favorável.

O objetivo é simples: facilitar o acesso à habitação e reduzir custos em projetos de longo prazo.

Para muitas famílias, isto pode significar a diferença entre avançar ou adiar um projeto de casa própria.


Exemplo prático: construção de casa própria

Imagine uma família que já possui terreno e pretende construir a sua habitação própria permanente, com um investimento total de cerca de 245.000€, incluindo terreno.

A diferença significativa surge na taxa de IVA aplicada à empreitada.

Simulação de custos

  • Terreno: 65.000€
  • Valor base da obra: 180.000€

Com IVA a 23% (taxa normal):

  • IVA: +41.400€
  • Total: 221.400€

Com IVA a 6% (taxa reduzida):

  • IVA: +10.800€
  • Total: 190.800€

Diferença total: 30.600€ de poupança

Este valor pode ser decisivo no orçamento final, permitindo melhorar acabamentos, investir em eficiência energética ou reduzir o valor do crédito habitação.


Quanto pode custar uma obra na prática?

A mesma empreitada “chave na mão” pode ter custos bastante diferentes consoante o enquadramento fiscal:

  • IVA a 23%: 221.400€
  • IVA a 6%: 190.800€

A diferença representa uma redução significativa na pressão financeira do projeto, podendo também diminuir a necessidade de financiamento bancário.


Quais as condições para beneficiar da taxa reduzida?

O acesso ao IVA reduzido não é automático. Existem condições específicas previstas no diploma:

  • O imóvel deve destinar-se a habitação própria e permanente ou arrendamento habitacional
  • Podem existir limites de custo controlado definidos legalmente
  • Em certos casos, pode haver restituição parcial do IVA em serviços técnicos e de projeto

Atenção: nem todos os custos beneficiam automaticamente da taxa reduzida. Em muitos casos, materiais comprados diretamente pelo proprietário continuam sujeitos à taxa normal.

Para beneficiar da taxa de 6%, é habitual que os materiais sejam fornecidos e aplicados no âmbito da empreitada.


E se for reabilitação de uma casa antiga?

Nem todos os projetos envolvem construção nova. Muitos passam pela compra e recuperação de imóveis antigos.

Nestes casos, o enquadramento fiscal pode também ter impacto relevante na viabilidade do projeto.

Mesmo pequenas variações nos custos podem representar diferenças significativas na estabilidade financeira do investimento.


O que deve avaliar antes de avançar

  • O custo total do projeto (compra + obras + encargos)
  • A capacidade financeira disponível
  • O objetivo do imóvel (habitação própria ou investimento)
  • A margem para imprevistos
  • A solução de financiamento mais adequada

Em projetos de habitação, a decisão mais rápida nem sempre é a melhor — a escolha mais segura é aquela que protege a estabilidade financeira no longo prazo.


Conclusão

O Decreto-Lei n.º 97/2026 introduz medidas que podem ter impacto real no custo da construção e reabilitação de habitação em Portugal.

Mais do que uma alteração fiscal, trata-se de um conjunto de incentivos que pode tornar projetos de habitação mais acessíveis e sustentáveis para muitas famílias.


Perguntas frequentes

O Decreto-Lei n.º 97/2026 ajuda quem quer comprar casa?

Sim, especialmente ao criar condições fiscais mais favoráveis para construção e reabilitação de habitação.

Estas medidas interessam à classe média?

Sim, são particularmente relevantes para famílias que procuram equilibrar orçamento e investimento a longo prazo.

Vale a pena analisar o projeto antes de avançar?

Sim. Uma análise detalhada pode evitar custos desnecessários e melhorar a viabilidade financeira do projeto.

Todos os materiais beneficiam da taxa reduzida?

Não. Em muitos casos, apenas a empreitada beneficia do enquadramento fiscal reduzido.


Quer saber se o seu projeto pode beneficiar destas medidas?
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